quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Alecrim

Fazer terapia é como uma brincadeira de juntar os pontos. De alguma maneira você sabe que todos os pontos estão lá, em algum lugar. Alguns acreditam que nessa vida, ou em outra, nas dimensões intergalacticas, porque não?

Meu processo esta passando por meus sabores, meu paladar, o que ingerir. Tenho pensado em repensado minha relação com meu corpo, com meus prazeres, com a minha comida. O que eu transformo em energia vital. O quanto de água ingiro e faço circular em mim, o quanto sou capaz de me envenenar com
uma péssima alimentação.

O que sei é que fui um bebê gordo, bem gordo, uma criança bem magra, com sérias dificuldades para se alimentar e depois uma adolescente problemática e agora uma adulta que gasta fortunas querendo comer bem, mas hoje, adquiriu alergia aos principais ingredientes da cozinha ocidental: leite, farinha e ovo. (Fora os corantes e conservantes, claro)

Assim, o que é comer bem?
Bom, nas ervas eu acredito, em todas elas, hoje minhas comidas tem sempre elas. E também me viciei em chás, nas plantas e descobrir o poder delas em mim. Amo seus cheiros, seus gostos, tenho pavor de quem coloca açúcar num chá. Alecrim, seu lindo. (Engraçado que quando no meu colégio católico, as freiras me davam chá quando eu estava com dor de cabeça, eu nao sabia se acreditava naquilo, mas era quentinho, aconchegante. Tem muito de um abraço numa xícara de chá).

E gosto também dos banhos de ervas. Limpam; energizam. Você vê e sente. É alquimia, é energia, é seu corpo em estado vivo.

Comida? Tem as comidas da moda.
E sabemos que o que te faz bem hoje pode te fazer mal amanha. Descobrir isso, individualmente é totalmente incrível. E claro, como tudo incrível, desesperador. 

Hoje é o segundo filme que assisto seguido sobre o prazer de cozinhar. Assisti "Água para chocolate" e "Júlie/Júlia". Além de ter descoberto recentemente Isabel Allende e seu livro maravilhoso Afrodite; ai os prazeres dos sabores, afrodisíacos diários. As lembranças e seus cheiros. Os amores e seus sabores. As dores e o paladar. A ansiedade e a saliva. Quantos frios na barriga. Processamos as emoções no intestino, para isso, ela passa no estômago, e claro na boca, nos olhos, nos cheiros.

Nao sei porque passei tanto tempo na infância renegando esses sabores, espero logo descobrir. Vou dormir agora pensando em chocolate, ansiosa com uma viagem que se aproxima. Sozinha. Viajar sozinha, comer sozinha. Ninguém pode mastigar por você.



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